Próxima viagem: Turismo pós coronavírus – Como e quando voltaremos a viajar?

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planeta terra

Se viajar sempre foi um luxo (cada vez mais acessível nos últimos anos), num mundo pós coronavírus, voltar a viajar deverá ser um dos maiores presentes que poderemos nos dar depois dessa pandemia.

“Toda viagem é uma extravagância” disse Ricardo Freire no seu livro Viaje na Viagem (que deu origem ao blog e site). E é verdade: geralmente sair de casa custa mais caro do que ficar, mas mesmo assim viajamos. E após o fim da quarentena, o ato de viajar por si só, se movimentar, pegar estrada, será um luxo e um privilégio que a grande maioria de nós vai querer vivenciar novamente.

É da natureza humana querer sair, explorar. O ser humano é movido pela curiosidade, e será essa, provavelmente o gatilho que nos fará sair novamente, mesmo com alguns receios e possíveis limitações.

Para exemplificar, numa pesquisa feita no nosso Instagram, foi impressionante ver que 87% das pessoas vão querer ir viajar assim que for viável e seguro.

Mesmo assim há ainda muitas dúvidas de como e quando poderemos viajar novamente e grande parte da indústria do turismo está estudando como isso voltará a ocorrer.

Veja abaixo então as principais mudanças e tendências de comportamento dos turistas, destinos e serviços de turismo no Brasil e no mundo que podem ocorrer pós coronavírus e quando podemos viajar novamente.

Tendências no turismo pós coronavírus

1-) Busca por bem estar e natureza

Cataratas de Foz do Iguaçu. Foto: MC/Blog Vambora!
Cataratas de Foz do Iguaçu. Foto: MC/Blog Vambora!

De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2015, a maior parte da população brasileira, 84,72%, vive em áreas urbanas. E dessa população, mais da metade vive em somente 6% das cidades do Brasil.

Vivendo em cidades densas, geralmente em espaços pequenos e com pouco acesso (ou nenhum) a áreas ao ar livre, não é estranho ver que a maior parte das pessoas depois da quarentena irá querer viajar para destinos de natureza (80% de acordo com o nossa pesquisa de público).

E entre os principais motivos para sair de casa estão férias, descanso e lazer, ultrapassando outras razões como visitar família, amigos e viagens a trabalho.

Mesmo em casa, a princípio um local que deveria ser agradável sem o stress da rua, estamos sendo colocados em situações limite, sem poder sair livremente e sendo instigados a produzir mais e ocupar todo o nosso tempo. “Ficar em casa não é férias” dizem.

Assim, a maior parte das pessoas vai querer mesmo voltar a ter contato com elementos que foram privados, como a natureza e locais de bem estar, para poder conseguir descansar e relaxar novamente fora do ambiente doméstico.

2-) Destino BRASIL

Praia de Lopes Mendes
Praia de Lopes Mendes, considerada uma das mais lindas do Brasil e do mundo! Foto: GC/Blog Vambora!

Seja pela crise de saúde, seja pela crise econômica, desvalorizando o real frente ao dólar como nunca antes visto, o Brasil, para os brasileiros, tem tudo para ser o primeiro destino a ser explorado para quem for viajar pós pandemia.

Dentro do Brasil, os destinos que as pessoas estão mais interessadas em visitar, de acordo com nossa pesquisa, são primeiramente a região Sul, seguido pelo Nordeste e depois sudeste.

Estudos globais, também mostram essa tendência de viagens domesticas em praticamente todos os países do mundo, essencialmente por alguns fatores:

  • Fronteiras internacionais podem permanecer fechadas por mais tempo do que as internas entre cidades e estados.
  • A retomada da sensação de segurança para sair e viajar de novo será feita aos poucos pelos turistas.

Importante destacar também que ainda que haja uma intenção do brasileiro em viajar para o exterior (na nossa pesquisa para Europa e América do Norte), ainda não sabemos quais países vão poder e querer receber brasileiros novamente e em qual prazo.

Questões diplomáticas e sanitárias, além da forma como o nosso atual governo está lidando com a pandemia do coronavírus, devem ser importantes fatores para retomada da entrada dos brasileiros em grande parte dos países.

E isso não vale só para o Brasil. Ao que tudo indica, países que não tomarem medidas de prevenção, fizerem testes em massa para a população e não realizarem uma saída da quarentena responsável, devem ter a entrada de seus cidadãos negada em determinados locais para evitar novas ondas de contagio em outros países.

3-) Novos critérios para escolha de destinos, empresas e serviços

Piscina termal enjoy olimpia park resort
Piscina do Enjoy Olímpia Park Resorts. Foto: GC/Blog Vambora!

Também de acordo com a nossa pesquisa, destinos que tenham poucos hospitais e leitos, bem como um número alto de casos de coronavírus e com muita concentração de pessoas serão evitados pelos turistas nesse momento.

De acordo com um estudo da FGV, intitulado “Impacto Econômico do Covid-19 Propostas para o Turismo Brasileiro”, tudo indica que a “predisposição para gastos em viagens ainda estará condicionada a uma maior confiança na segurança sanitária do destino a ser visitado”.

Isso se dará também na escolha de empresas e serviços, incluindo de transporte. Na nossa pesquisa, medidas de higiene e prevenção parecem ter mais importância nesse momento do que o preço das passagens para os viajantes.

Outro ponto importante levantado pelo estudo da FGV, diz também que alternativas e facilidade para políticas de cancelamento e remarcação serão levadas mais em consideração pelo consumidor do que preços nesse momento.

A escolha da hospedagem também parece ser influenciada por esses fatores. Na nossa pesquisa no Instagram, a maioria das pessoas pensa em escolher hotel, resorts e pousadas do que albergues e aluguel de temporada. Ou seja, poder ter quartos privativos em locais com estrutura e protocolos de higienização, parece ser o cenário ideal para a maioria dos viajantes.

Em Portugal, por exemplo, já foi criado um selo para estabelecimentos chamado “Clean & Safe“. Ele irá distinguir as atividades turísticas que cumpram requisitos de higiene e limpeza para prevenção e controle da Covid-19, ajudando a reforçar a confiança do turista no local.

4-) Uma nova forma de fazer turismo

Viagem aeroporto máscara coronavirus

Medidas sanitárias e que promovam o distanciamento social devem ser vistas em praticamente todo o mundo do turismo, nessa nova realidade que estamos vivendo.

Serão mudanças que devem, por exemplo, medir a temperatura dos passageiros antes de embarcar, verificar locais por onde ele passou no momento do check in e imigração e exigir alguns equipamentos como máscaras para embarque.

Falando com a jornalista Mari Campos, ela nos lembra que “a maioria das companhias aéreas já deixou de vender os assentos “do meio”, várias mudaram seus protocolos de higienização, a Air Asia voltou a voar com uniformes semelhantes aos trajes dos médicos na linha de frente e há duas semanas vimos a Emirates se tornar a primeira companhia aérea do mundo a testar passageiros contra a Covid-19 na sala de embarque.”

Vistos podem ser revistos, passando agora a levar em conta também as medidas de cada nação para conter o coronavírus. Mas tudo é ainda suposição. Um suposto passaporte de imunidade, cogitado por alguns países já foi desaconselhado pela OMS por não haver ainda comprovação científica que quem já pegou a doença já está totalmente imune de um novo contágio.

Dentro de estabelecimentos e atrações, o distanciamento social deve valer, por exemplo com restaurantes espaçando mesas e funcionando só sob reserva, para atender menos clientes por turno. Visitas a atrações também devem começar a ser agendadas para evitar aglomerações e haver um controle na circulação.

Nesses lugares, medidas de prevenção, como atendentes com roupas e equipamentos de proteção, presença de álcool gel e distribuição de máscaras, também podem ocorrer. 

E ao que tudo indica, locais que não implantarem essas medidas serão evitados pelos turistas, pelo medo de serem infectados por não se sentirem seguros lá.

Serviços privativos, desde room service nos hotéis, até guias individuais devem ganhar força e relevância. Buffet e serviço self-service devem não funcionar novamente por enquanto, sendo substituído por serviço à la carte.

Nisso, excursões e cruzeiros, devem também devem passar por mudanças, criando grupos menores ou organizando viagens individuais. Como a jornalista Mari Campos disse sobre os cruzeiros, muitas empresas do segmento “até falam em restringir embarque de passageiros de grupo de risco enquanto não houver vacina.”

Quando será possível viajar novamente?

Novo coronavirus China

Essa é a pergunta que todos fazem nesse momento. Na nossa pesquisa no Instagram, entre diversos cenários apontados, a maior parte das pessoas pensa que conseguirá viajar a partir de agosto de 2020 ou a partir de outubro de 2020.

A realidade, entretanto, é que ainda não há certeza de uma data certa, pois tudo vai depender do desenvolvimento de remédios, estudos sobre anticorpos, vacinas eficientes e medidas que cada governo está tomando para conter o avanço do vírus. Ou seja, temos ainda um longo caminho até uma volta ao “normal”.

A indústria do turismo, juntamente com a de eventos, tem tudo para ser uma das últimas a se recuperar dessa crise e pandemia, exatamente por promoverem o deslocamento e aglomeração de pessoas, dois fatores que fizeram o coronavírus se espalhar tão rapidamente por todo o mundo.

Enquanto o isolamento social for a principal medida para prevenção da pandemia, veremos ainda um deslocamento nulo ou mínimo.

Dessa forma, as nossas primeiras viagens, quando possível, serão inicialmente dentro das nossas próprias cidades ou em locais muito perto, exigindo pouco deslocamento.

Uma vez se sentindo mais seguras, as pessoas passarão a fazer viagens dentro do seus estados ou para estados vizinhos com fronteira aberta.

Na nossa pesquisa, a maioria das pessoas pensa em viajar de avião e em 2º lugar carro, mas isso, acreditamos, que é ainda um desejo baseado na forma como viajávamos antes da Covid-19. Será preciso ver quais medidas os aeroportos farão para o embarque de passageiros, pois, dependendo dos protocolos de segurança, viagens de carro, talvez sejam menos burocráticas e mais baratas, exigindo uma menor preparação, pelo menos nesse 1º momento.

Pelo que estamos vendo, países na Ásia e Europa, que já passaram pelo pico da pandemia, a reabertura do comércio e serviços está sendo feita de forma gradual, durando cerca de 6 a 8 semanas, sempre levando em conta resultados positivos para o prosseguimento de uma nova fase de reabertura.

Além das viagens a lazer, isso deverá também influenciar as viagens a trabalho, que nesse momento, deverão ser mínimas em todo o planeta. Só irá se deslocar quem realmente precisa nesses primeiros momentos.

Isso tudo sem citar a recessão econômica que ocorrerá globalmente. Por isso viagens mais curtas, nacionais e para destinos próximos, devem ser as mais viáveis de ocorrer inicialmente.

Queremos viajar como fazíamos antes do coronavírus?

Cruzeiro
Cruzeiros sempre cheios, será que serão agora diferentes? Foto: Blog Vambora!

Quero terminar esse post com esse questionamento retomando a ideia lá do começo do texto sobre o quanto “viajar é um luxo”. Quando o máximo que podemos ir atualmente é só até o supermercado ou farmácia na esquina, pensar que podemos atravessar o Atlântico novamente parece um sonho longínquo.

Porém, analisando a forma como o turismo estava sendo realizado antes da pandemia (em massa, muitas vezes exploratório, com a “turistificação” ou “overtourism” de diversos locais do mundo), o crescimento e desenvolvimento econômico esperado pela atividade foi ofuscado pela poluição e gentrificação de muitos destinos, por exemplo.

Veneza, na Itália, é um bom exemplo disso. Protestos de moradores (antes da covid-19) reclamavam do número extremo de visitantes que tornava a cidade praticamente inabitável para os locais. Inclusive, uma taxa de turismo para entrada na cidade iria ser implantada no dia 1º de julho de 2020 para visitantes (mas agora deve ficar só para 2021).

Na Veneza da pandemia, acabamos vendo uma cidade vazia, mas também a redução da poluição dos seus canais, que voltaram a ser cristalinos e com peixes, como não se via há anos!

Sabe-se que os níveis de poluição reduziram em média 50% nas principais cidades do mundo que entrarem em quarentena, incluindo aqui no Brasil. Essa mudança provavelmente não ocorreria se continuássemos vivendo como estávamos, mesmo com o Acordo de Paris.

Assim, será que queremos voltar a intensidade e exploração de destinos como antes? Ou será que a sustentabilidade no turismo será finalmente vista, aplicada e desejada pelos viajantes?

Se antes da pandemia, uma viagem de luxo era muitas vezes vista como algo que gerasse ostentação, o novo luxo pós coronavírus, poderá simplesmente poder sair de casa e conseguir ter acesso a coisas mais simples e privativas, como uma área ao ar livre ampla, para aproveitar e circular em segurança, sem multidões.

Será que seremos mais responsáveis, valorizando novamente mais o presente e a cultura local dos destinos, do que somente querendo postar uma foto posada na frente de uma atração? Roteiros apressados, com objetivo de ver muito em pouco tempo, darão lugar a estadas mais tranquilas e com menos paradas e circulação?

Será que o significado de viajar, voltará a ser valorizado como algo único e enriquecedor, muito mais do que preencher um check list? A gente espera e acredita que sim.

A jornalista Mari Campos lembra também que seguindo essa tendência, “pesquisas indicam que parte considerável dos turistas está prestando muita atenção nas marcas de hotéis, destinos, companhias aéreas etc que estão sendo corretos e solidários agora e pretendem fazer escolhas mais sustentáveis (em termos ambientais e sociais) em suas próximas viagens”.

Adoraria que o cenário fosse mais otimista em relação a quando poderemos viajar novamente, mas ao que tudo indica, nossa volta para estrada será gradual, repleta de aprendizados e quem sabe, com melhorias na forma como vemos e conhecemos o nosso mundo.

Agora é hora de vocês: conta aqui embaixo as opiniões e comentários de vocês sobre como serão nossas viagens pós coronavírus. Vambora!

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5 COMENTÁRIOS

  1. Parabéns pelo texto. Coerente, repleto de informações e trazendo as pessoas para uma reflexão de como nós estamos maltratando nosso planeta, inclusive com nossas viagens.

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