Relato de viagem: Nepal – Como ajudar o país após o terremoto

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Vambora ajudar o Nepal? Foto: Rafael Saes
Vambora ajudar o Nepal? Foto: Rafael Saes

Há pouco tempo, um destino dos sonhos de muita gente, o Nepal, foi capa de dezenas de jornais por um motivo totalmente aposto as belezas que normalmente sempre vemos de lá: um imenso terremoto destruiu grande parte do país e tirou a vida de milhares de pessoas. Um pouco mais de 3 meses depois da tragédia, não se fala mais tanto como está a situação do país mas sabemos que não é porque não está numa manchete de jornal que tudo voltou ao normal e que nada mais precisa ser feito. O Lucas Emmanuel Rodrigues, da Hevp, foi uma das pessoas que não se contentou somente com as notícias e quis ajudar de forma mais efetiva o Nepal, país que já tinha visitado e se encantado antes em 2012. Tendo acabado de voltar de lá, o relato dele abaixo conta um pouco como está o Nepal hoje, o que está sendo feito para reerguer o país e como eu, você e todo mundo podemos ajudar também de alguma forma.

Vambora então ajudar o Nepal?

Doação de uniformes numa vila no Nepal. Foto: Rafael Saes
Doação de uniformes numa vila no Nepal. Foto: Rafael Saes

“De repente, lá estava eu (Lucas). No Nepal! Era minha segunda vez nesse país.

É um pouco estranho, mas voltar é sempre bom. Novas percepções e olhares sobre as mesmas coisas, mais conhecimento, mais interação. Dessa vez eu estava acompanhado de um fotógrafo: Rafael Saes.

Eu tinha noção que estava indo fazer algo novo, que da primeira vez ainda não era possível e que agora esse país, que eu tanto gostava, estava mal.

O terremoto de Abril destruiu muita coisa. Além de sonhos, jogou para baixo casas, negócios locais, lugares turísticos, escolas, hospitais, entortou estradas e ainda deixou uma falta de esperança incrível. Era nítido.

Kathmandu, no Nepal, após o terremoto de Abril/2015. Foto: Rafael Saes
Kathmandu, em Junho de 2015, após o terremoto de Abril. Foto: Rafael Saes

Meu primeiro contato, assim que sai do aeroporto, foi com o Pemba Sherpa. (Ele seria meu parceiro lá. Me direcionaria. Eu o ajudaria, e ele me ajudaria também. No final, virou um amigo). Ele atua socialmente, ajuda ao máximo a vila em que nasceu e está no filme Everest, que acho que será lançado em Outubro. Ele atua no filme sendo ele mesmo, um Sherpa. Digno de quem já subiu o Everest 6 vezes. O impressionante é ele usar toda sua disciplina e dedicação para ajudar o próximo. Isso sim é sensacional. Ele nos deixou a par de tudo.

Kathmandu, no Nepal, após o terremoto de Abril/2015. Foto: Rafael Saes
Kathmandu, em Junho de 2015,, após o terremoto de Abril do mesmo ano. Foto: Rafael Saes

Confesso que no primeiro momento eu ainda me confundia com o que era efeito do terremoto e o que era o Nepal de sempre. Em 2012 me impressionei com a loucura de vacas, pedestres, bicicletas, carros, motos e tuk tuks dividindo as ruas estreitas; lixo em todos os lugares; muita gente nas calçadas sem fazer nada (sinal de desemprego); muita buzina e pessoas vivendo à céu aberto. O Rafa me perguntava e eu simplesmente não conseguia distinguir. Resolvemos explorar e verificar.

Destroços realmente resultaram do terremoto. Abrigos em terrenos abertos também. Muitas pessoas, por mais que suas casas estivessem “inteiras”, ainda estavam com medo e optavam por não ficar dentro de casa. Novos tremores surgiam dia pós dia em escala menor. Com esses abrigos vinha um novo problema: saúde. Falta de banheiros, de água tratada e proteção contra chuva (começará a temporada das monções).

Kathmandu, no Nepal, após o terremoto de Abril/2015. Foto: Rafael Saes
Kathmandu, no Nepal, após o terremoto de Abril/2015. Foto: Rafael Saes

Sei bem que pobreza gera mais pobreza e outras dificuldades. Presenciei isso em outros países: Haiti, Quênia, Honduras, Bolívia, El Salvador, Guatemala, Índia, Myanmar, Laos, Camboja e Vietnam. Para mim, a pobreza varia de lugar para lugar. Muda a intensidade, a generalização e o primeiro fator de causa. Tem países, ou até regiões dentro desses países (inclusive os em desenvolvimento), que o problema inicial é saúde. Em outro, recursos naturais. Em outro, falta de água. Em outro, guerras. Não dá para generalizar. Cultura, religião e tradições também influenciam na maneira como as pessoas interagem entre si e consequentemente com as dificuldades do seu país.

Mas vamos lá, os motivos da minha viagem:

Doação na vila Patle Nepal
Doação na vila Patle Nepal. Foto: Rafael Saes

1-) Tenho projetos com relação à pós desastres naturais. Acontece em média 1 por dia no mundo e a maneira como ajudamos ainda não é eficiente. Ás vezes sobram recursos, ás vezes faltam. Algumas vezes sobram pessoas e isso atrapalha. A organização disso tudo também não é transparente e ainda, infelizmente, temos que ler relatos de desvios. Queria validar algumas hipóteses e verificar em campo o que acontece em situações assim.

2-) Queria também atuar como voluntário. Ajudar o Pemba no que ele precisasse. Isso faz parte de mim.

3-) Fazer as doações de uniformes da Hevp, empresa que cofundei com meu sócio Juriel e que trabalho assiduamente. (Você pode nos seguir pelo instagram @hevpclothing e facebook /hevpclothing)

Família nepalesa. Foto: Rafael Saes
Família nepalesa. Foto: Rafael Saes

Já quero aproveitar e explicar sobre ela: a Hevp é um negócio social (um negócio, como qualquer outro, inserido num mercado, tem concorrentes, paga impostos e busca lucro. Mas o objetivo principal é criar e causar impacto social positivo). Como fazemos isso? Nosso modelo de receita, parte que nos associamos à um negócio “normal”,  é uma marca de roupas. Roupas voltadas à viagem. Estampas em camisetas de lugares que eu fui. Outras realidades, outras culturas. Vendemos, além das camisetas, calças masculinas e colares femininos. Você pode ver em nosso site.

Nosso modelo de impacto social também é simples. Para cada camiseta que vendemos, doamos um uniforme para uma criança que não tem. Para cada calça, doamos 10 refeições para crianças dentro da escola e para cada colar que vendemos doamos 5 refeições, também para crianças dentro da escola. Convido a já deixarem uma aba aberta aí no seu computador e verem mais informações aqui. Eu explico melhor nossos motivos para fazer isso.

Foto: Rafael Saes
Foto: Rafael Saes

Bem, um outro projeto seria feito em paralelo. O do Rafa, fotógrafo. Ele iria como voluntário da Hevp, documentaria tudo para a gente e poderia fazer uma das coisas que vem tentando fazer: fotografia documental. Tenho certeza de que as fotos feitas por ele, impactaram e sensibilizaram milhares de pessoas aqui no Brasil. Acho que as pessoas estão começando a se importar mais com o mundo lá de fora. Mas também acho que estão entendendo que o lá fora, as vezes, é aqui pertinho. E lá fomos nós, fazer tudo isso. Atuamos na capital, Kathmandu e também na Vila Patle, do Pemba.

Em Kathmandu, doamos 18 uniformes que produzimos no Nepal (uma outra maneira de impactar socialmente, fomentando a geração de renda e emprego) para uma escola chamada Silver Shrine. Foi fácil.

Doação de uniformes em Kathmandu. Foto: Rafael Saes
Doação de uniformes em Kathmandu. Foto: Rafael Saes

Quero mesmo é contar nossa atuação na vila. Foram 247 uniformes doados, 60km de trekking, 400km de jeep (cada 200km demoraram 8 horas). Chuva, vento, sanguessuga, sobe desce, sobe desce. Sem chuveiro, sem cama. Frio, roupa molhada e barro.

Muito difícil saber que as pessoas daquela região vivem com essas dificuldades, todos os dias. Mesmo assim nos ajudaram em tudo. Dormimos nas casas das famílias locais. Nos deram comida, água e abrigo.

Moradia temporária nas montanhas para fazer as doações. Foto: Rafael Saes
Moradia temporária nas montanhas para fazer as doações. Foto: Rafael Saes

É tudo muito único: a cultura, as tradições, a maneira de fazer as coisas e os a fazeres do dia a dia. Vivem do jeitinho deles, todos os dias as poucas e mesmas coisas: plantam batatas, milho, tomam chá e conversam muito. Me parecem não almejar um mundo novo por falta de opção, oportunidade. Acho que não sabem que ele existe. Mas acho também que são felizes. Não vivem melhor, talvez pior, mas com certeza vivem esquecidos. Solitários, mas sempre unidos. Presenciar isso foi muito importante pra mim!

Mulher nepalesa preparando chá. Foto: Rafael Saes
Mulher nepalesa preparando chá. Foto: Rafael Saes

Mas outra coisa que me deixou bastante pensativo foi como essas pessoas conseguem viver felizes. Qual seria a causa dos vários sorrisos que presenciamos? Isso me intriga, penso demais. Talvez, para eles, os únicos problemas do mundo são os deles mesmos. Eles não tem acesso a televisão, não tem celular, não veem outdoor e nem ouvem rádio. Não recebem nenhum tipo de informação de fora. Da mesma maneira que ninguém sabem sobre eles, eles também não sabem sobre ninguém. Não consigo discernir se isso é muito bom ou muito ruim.

Acho que mostrar essa situação para o mundo é o mais importante agora. Lugares assim, distantes, precisam muito de ajuda. Ninguém vai até lá.

Vilas nas montanhas isoladas no Nepal. Foto: Rafael Saes
Vilas nas montanhas isoladas no Nepal. Foto: Rafael Saes

Perguntei ao Pemba: os moradores da maioria das vilas por ali saem para a cidade, na maioria, 2 vezes na vida. Alguns vão mais, com o objetivo de vender o que sobra das plantações familiares de batata, milho e arroz. Vendem e já usam o dinheiro para comprar comida, sal e outras coisas necessárias. Falta luz e não existe hospital por ali. Trilhas e mais trilhas sem fim separam eles do resto do mundo.

Fiquei impressionado. Mas isso é bom. Me levará a fazer isso mais e mais vezes.

Por enquanto, acho que podemos fazer algo que pode ajudar muito o Nepal. Turismo. É uma fonte enorme de receita do país e interfere na vida de muita gente, principalmente de vilas assim que se localizam perto de trekkings famosos.

Nepal. Foto: Rafael Saes
Turismo pode ajudar a reerguer o país. Foto: Rafael Saes

Espero que considere essa opção como próxima viagem (talvez não na época de monções – Junho a Agosto, mas em Abril ou Outubro).

A cultura é rica. As tradições são impactantes. Presenciar os mundos e templos budistas e hinduístas tão pertos um do outro também agrega muito. A comida não é das melhores, muito curry para mim, mas as pessoas vão ser hospitaleiras. Você não vai se sentir em casa – na verdade, vai perceber como nunca o quão longe está – mas vai se sentir bem. Talvez não bata saudade. E se você for, com certeza voltará.

Doações feitas pela Hevp. Foto: Rafael Saes
Durante as doações. Foto: Rafael Saes

O Nepal mexeu comigo e o terremoto que aconteceu ainda mais.  A mídia já não cobre mais nada. Não temos notícias. Espero que esse relato dê uma idéia da situação.

Um abraço,

Lucas”

Muito obrigada Lucas e Rafa pelo relato e fotos, mostrando como está realmente o Nepal hoje. Para quem quiser saber mais sobre o trabalho da Hevp, vale conferir: http://www.hevp.com.br/

Vambora então ajudar o Nepal!

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2 COMENTÁRIOS

  1. Olá! Envio uma mensagem através deste comentário, pois não tenho encontrado outra maneira de conseguir a informação que preciso. Inscrevi-me no projeto da AllHands para ajudar o Nepal em janeiro de 2018 e fui aceito no programa. É a primeira vez que me inscrevo em algo parecido. Estão inclusos no programa a alimentação e a estadia, ambos já confirmados, só preciso terminar de preencher uma ficha até o dia 18 de Agosto para confirmar. Não sei se verão a tempo, mas eu estou procurando a melhor maneira possível (leia-se mais barata) para chegar à área afetada. Será que poderiam entrar em contato comigo, caso saibam de algo? Aprecisaria muito que me ajudassem a ajudar o Nepal! Obrigado.

    • Olá Felipe,
      Quem escreveu esse post aqui para a gente foi o pessoal da Hevp que esteve lá no Nepal ajudando pessoalmente. Os contatos do site e instagram deles estão aqui no post. Se você não conseguir informações com a própria AllHands, eles provavelmente podem te ajudar com informações mais precisas pois estiveram lá.
      Boa viagem e jornada!

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