Roteiro cultural: Um dia em Inhotim

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Inhotim
Vambora passar um dia em Inhotim! Foto: GC/Blog Vambora

Um dia em Inhotim é geralmente o tempo que muitas pessoas tem para conhecer o local. Saber, nem que seja mais ou menos, o que visitar é importante, pois um dos poucos defeitos do lugar é você não saber muito bem onde está ou o que está vendo, ao longo do caminho, e assim fica fácil se perder.

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É claro que você pode ir andando a esmo, flanando, meio perdidão, vendo tudo o que aparecer no caminho, mas a chance de escutar “mas você não viu a obra X! A mais legal de todas?!?!?!” será grande…Para evitar isso, uma leve preparação do que ver, pode ser a garantia de aproveitar bem a sua visita (se você, como eu, tiver só um dia para visitar a atração).

obras inhotim
Foto: GC/Blog Vambora

Meu roteiro, dessa maneira, foi dividido em duas partes, uma pela manhã e outra a tarde, indo aos dois extremos do parque. De acordo com dicas, resolvi pegar o carrinho para as obras mais longínquas (com um valor de R$ 10 por pessoa), só em último caso, e não achei ele mesmo necessário, no meu caso. Nada do que uma boa companhia para fazer passar rápido as distâncias mais longas (que chegam a até 1km, na subida), mas se você estiver muito cansado, ou quiser ver tudo ao máximo, mais rápido, o carrinho pode ser uma boa opção (o passe para usá-lo pode ser comprado na recepção ou em qualquer um dos restaurantes e lanchonetes da atração).

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Segue então uma explicação e resumo das principais e maiores obras, para você se programar:

-> Roteiro de um dia em Inhotim: MANHÃ

Narcissus Garden, Inhotim. Foto: GC/Blog Vambora
Narcissus Garden. Foto: GC/Blog Vambora

1-) Narcissus Garden, de Yayoi Kusama: Logo atrás da recepção, na cobertura do Centro Educativo Burle Marx (que possui um café muito charmoso, além de biblioteca, auditório, etc), é um conjunto de esferas brilhantes de aço que se movem e fluam organicamente, sobre um espelho d`agua, de acordo com o vento, refletindo toda a natureza ao seu redor. É simples e lindo!

2-) Penetrável Magic Square, de Helio Oiticica: a obra gigante, meio labirinto, com cores vibrantes pula aos olhos dos visitantes. Sentar à sombra de uns dos paredões, é uma parada merecida.

Restaurante Oiticica, Inhotim
Área externa do restaurante Oiticica. Foto: GC/Blog Vambora

3-) Restaurante Oiticica: Lindo e ótima refeição a kilo, com preços bem possíveis. Se a idéia é comer bem e gastar pouco pare aqui e faça o seu almoço.

4-) Galeria Miguel Rio Branco: Um edifício de cair o queixo. Durante a caminhada, uma subida íngreme, você se assusta ao se deparar, do nada, com um prédio gigante que parece estar caindo em cima de você, como se fosse uma rocha saindo das montanhas. “Mas o que que é isso?!” é a pergunta natural a se fazer…A exposição do fotógrafo é perturbadora, mostrando o submundo da periferia de Salvador, dividida por várias salas dentro do edifício. Para quem gosta de fotografia é imperdível.

De lama Lâmina, Inhotim
Edifício, a la “Lost” De lama Lâmina. Foto: GC/Blog Vambora

5-) De Lama Lâmina, de Matthew Barney: Quem já viu a série Lost vai entender bem a sensação de encontrar, no meio de um trilha, na mata quase fechada, uma estrutura de domos geodésicos espelhados…coisa maluca! Dentro, um gigantesco trator todo sujo de terra, ergue uma árvore feita de poliuretano. A eternal briga entre homem e natureza, foi baseada nessa obra, através da história do candomblé de “Ogum, senhor orixá do ferro, da guerra e da tecnologia, e Ossanha, o orixá das florestas, das plantas e das forças da natureza”. A escala das coisas aqui choca!

6-) Sonic Pavolion, Doug Aitken: No outro extremo do parque está no meu top 5! Um cano, enterrrado a centenas de metros dentro da terra, ecoa os sons do interior da Terra, captados por microfones geológicos. O edifício onde é possível escutar, parece como uma nave alienígena, pousada no meio do nada, e que remecheu toda terra quando pousou. Dentro dele, ao ouvir a terra “falando”, você vê a paisagem lindíssima ao seu redor, das montanhas que cercam Inhotim. Você escuta e vê a natureza…é lindo! 🙂

7-) True Rouge, Tunga: Localizado na Galeria do Lago, que possui uma das vistas mais bonitas de Inhotim, além de um cafezinho bem simpático. A obra em si, feita de redes, vidro, esponjas, bolas de sinuca e outros materiais, pendurados como se fossem marionetes. Aqui o impacto e a estranheza, em reflexo ao entorno tão natural, é o que faz valer a visita a obra.

8- ) Restaurante Tamboril: o mais chiq de todos e também o mais caro. Se você quiser fazer uma super refeição, aqui é o lugar, alem de ser lindíssimo também, integrado a natureza e as obras.

Através, Cildo Meireles. Foto: GC/Blog Vambora
Através, de Cildo Meireles. Foto: GC/Blog Vambora

9-) Através, de Cildo Meireles: Uma das obras contemporâneas de mais fácil entendimento.Nela, o artista tenta mostrar quais são as barreiras da nossa vida, o que pode e não pode ser ultrapassado, atravessado. As pessoas são convidadas a entrar num espaço, cujo chão está cheio de cacos de vidro e possui várias barreiras físicas (como cercas, arame farpado, cortina de chuveiro, cordão de fila de cinema, etc. ). Muito divertido!

10-) Desvio para o vermelho, de Cildo Meirelles: um quarto, no qual a cor principal é o vermelho vivo, onde só as paredes são brancas, mas a parte mais legal é nos fundos desse quarto, no qual, um ambiente escuro, em que você perde totalmente o sentido de localização, está uma pia, torta, em que uma torneira jorra um liquido vermelho (sangue?). O fato curioso é que a obra é de 1967, renovada em 1984, mas que parece que foi feita esse ano…coisas da arte contemporânea.

11-) O assassinato dos Corvos, de Janet Cardiff e George Bures Miller: são 98 auto falantes, apoiados, pendurados, em que a artista Janet Cardiff vai contando sobre um sonho perturbador que teve. A disposição das caixas de som, e o fato de você se sentar entre elas, dá a impressão que numa determinada hora, você faz parte do sonho. É muito maluco, e muito legal!

-> Roteiro de um dia em Inhotim: TARDE

Restaurante Inhotim
Hora do almoço! Foto: GC/Blog Vambora

12-) Do seu lado, uma lanchonete que vende pizza a R$ 5,00; parece ser um dos lanchinhos mais gostosos e baratos do parque. Delícia e bom para acalmar a mente depois da perturbadora obra “O assassinato dos corvos”.

13-) Cosmococas, de Hélio Oiticica e Neville d’Almeida: um galpão cheio de estruturas sensoriais, com som, imagens e texturas, que procuram gerar no público uma interação com as estruturas. O resultado dessa interação, para eles, é o que faz a obra de arte. Muito divertida, de fácil entendimento, principalmente para as crianças! Está no meu top 5! 🙂

Beam Drop, inhotim
Beam Drop, de Chris Burden. Foto: GC/Blog Vambora

14-) Beam Drop, de Chris Burden: bem no outro extremo do parque, é um conjunto de vigas (beam) jogadas (drop) por um guindaste de uma altura de 45 m do chão, dentro de uma vala cheia de cimento. O resultado é uma obra abstrata, que procura mostrar a ação da gestualidade e a desconstrução da arte moderna. Queria ter visto a obra sendo feita mesmo e não só o resultado final! Imagina?

15-) Galeria Adriana Varejão: um dos edifícios mais bonitos (veja o vídeo baixo) contém diversas obras, dentre elas, o da artista Linda do Rosário, sendo uma parede branca, toda quebrada, “recheada” de vísceras vermelhas…de mentira, mas que dá uma afliçãozinha.

16-) Se você estiver com fome agora é um bom momento para passar pelo quiosque de cachorre quente (R$ 5,00) e tomar alguma coisa.

17-) Forty Part Motet, de Janet Cardiff: também na Galeria da Praça, está com absoluta certeza no top 5 das obras que eu mais gostei de Inhotim. Trata-se da reprodução de uma composição feita para a Rainha Elizabeth 1ª, em 1575, para oito coros de cinco vozes. “Utilizando microfones individuais, Janet Cardiff gravou cada integrante do coral da Catedral de Salisbury”, que são reproduzidos em “um alto-falante para cada voz, o que permite ao espectador ouvir as diferentes vozes e perceber as diferentes combinações e harmonias à medida que percorre a instalação”. Ficando no centro, você escuta a composição em conjunto, caminhando junto as caixas, você ouve cada participante do coral. Se fechar os olhos, durante a caminhada, até pode visualizar ele cantando na sua frente. É lindo, arrepia e é arte contemporânea. 🙂

18-) Abre a Porta e Rodoviária de Brumadinho, de John Ahearn e Rigoberto Torres: Na Galeria da Praça, pertinho da recepção, os painéis gigantescos, pulam aos olhos mas não chocam. É bonito, simples, arte que todo mundo está acostumado a entender e ainda é arte contemporânea…

Obra Rodoviária de Brumadinho
Rodoviária de Brumadinho….a obra, não a real! 😉 Foto: GC/Blog Vambora

E tudo isso são só algumas obras…tem todo o jardim para ver, tocar, sentir, ouvir…

É possível chegar ao parque de ônibus (direto da rodoviária de BH) e carro. A estrada é bem ruinzinha e a noite dá até medo de tão mal sinalizada e mal iluminada que ela é, por isso fique atento se for de carro.

O ingresso pode ser adquirido na hora (R$ 20 a inteira) e também pode ser comprado antecipadamente pela internet.

Oh lugar surpreendente e lindo demais! Agora que você já ouviu falar e conhece melhor, Vambora quando para Inhotim?! 🙂

+ informações: http://www.inhotim.org.br
– Mais fotos de Inhotim no facebook do Vambora! http://www.facebook.com/vambora

*** Veja também:
FINALMENTE Inhotim!
A nova Praça da Liberdade em Belo Horizonte

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24 COMENTÁRIOS

  1. Antes de ir li suas dicas, chegando lá tudo é incrível, impossível não querer voltar!!! Adorei!!! Almoçamos no restaurante por kilo, e a variedade é mto boa, as sobremesas nem se fala!!!

  2. Olá, Guta.
    Parabéns pelo site e pelo post.
    Vou a BH para um final-de-semana. Queria saber quanto tempo leva até o Inhotim de ônibus pra ver se vale a pena (e se dá tempo) de ir até ele.
    Beijo, Cris.

    • Olá Cris,
      A viagem de ônibus leva um pouco menos de 2 horas: o ônibus sai por volta das 8h de manhã de BH e sai de Inhotim as 16h30. Se vc já conhece BH seria um bom bate e volta, já que é um dia todo por lá (e mesmo assim não vai dar tempo de ver tudo! É super grande!).
      Bjus

  3. Sou de Salvador e li esta matéria antes de ir ao Inhotim. ADOREI! Foi super útil pra mim e me ajudou a aproveitar tudo ao máximo!
    Muito obrigado, e parabéns pelo trabalho maravilhoso!!!
    Abraços!!!!

    • Olá João,
      Muito obrigada pelo retorno! Que bom que aproveitou as dicas e gostou! Ficamos muito felizes e é por esse motivo que adoramos e continuamos a fazer aqui o Vambora!
      Grande abraço!

    • Olá Nety,
      Não é que não seja possível, mas é mais fácil visitar Inhotim estando em cidades como Belo Horizonte, Betim ou até mesmo Brumadinho (a cidade onde está o instituto), que são mais próximas. De Ouro Preto até Inhotim o trajeto deve ser de carro e viagem demora mais tempo (cerca de 2h). Assim, se tiver a possibilidade de ficar em outra cidade para visitar o Instituto, acredito que será mais fácil para se deslocar.
      Abs!

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