Vivendo e aprendendo: Ciclofaixa em São Paulo – Um roteiro para conhecer São Paulo de bicicleta (Parte I)

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Ciclofaixa da Av. Paulista em São Paulo
Ciclofaixa da Av. Paulista em São Paulo. Foto: Lena Máximo

Nos últimos tempos São Paulo ganhou uma novidade que mudou o jeito de circular e conhecer a cidade: a ciclofaixa, um trecho de rua exclusivo para uso dos ciclistas aos domingos e feriados. O projeto iniciou em alguns poucos trechos em 2009, mas hoje em dia, está espalhado por praticamente toda a cidade.

A Lena Máximo, que embora não tenha um blog (ainda! rs), faz parte da blogosfera viajante é uma das super adeptas da ciclofaixa em São Paulo. Vendo suas fotos no Instagram (e agora aqui no blog), dá para ver como é legal conhecer a cidade por esse outro ângulo, seja você um morador, seja turista. Por isso, a convidei para contar aqui Vambora! todas as suas dicas, percepções e sugestões de roteiro de bicicleta por São Paulo, usando a ciclofaixa. Com vocês, todas as dicas da querida Lena! 🙂

Tudo começou com a conta do Instagram e a constatação de que enquanto habitantes do Rio de Janeiro, Paris, Nova York, Londres, etc. fotografam suas cidades diariamente, eu nunca havia fotografado a minha cidade. Nenhuma fotinho!! Pode isso? Logo eu, que sempre tive o hábito de andar pela cidade com uma certa atitude de turista e que fotografo loucamente os meus destinos de férias, não tinha nenhum registro da cidade onde nasci, cresci e vivi todos os anos da minha vida. Ok, São Paulo não é exatamente bela, mas eu com meu olhar de turista, sempre achei beleza nela ;-).

Parque do Ibirapuera em São Paulo
Parque do Ibirapuera em São Paulo. Foto: Lena Máximo

Hora de mudar essa história, né? Aí veio a bicicleta e a adesão apaixonada à ciclofaixa de lazer aos domingos. Em pouco tempo meu instagram estava repleto de fotos de São Paulo 🙂 E logo veio o convite da Guta para escrever um post sobre São Paulo de bike para o Vambora. Adorei! Então, Vambora?

Se você é paulistano e ainda não deu nenhuma voltinha pela ciclofaixa, não sabe o que está perdendo. A ciclofaixa foi a melhor coisa que já fizeram por São Paulo. A cidade ficou mais parecida com o Rio (não me joguem ovos, por favor! Sou otimista por natureza 😉 ). Pela primeira vez na vida, temos uma opção de lazer verdadeiramente ao ar livre, sem a limitação de parques ou clubes. Ela pode ser usada tanto por quem tem um foco mais esportivo, quanto por pessoas interessadas apenas em dar uma circulada de lazer ou ainda por aqueles que querem se deslocar de um lugar a outro. Como este é um blog de viagens, vou falar mais desses deslocamentos, digamos assim, turísticos, que podem ser feitos por habitantes ou forasteiros ;-).

Conhecer uma cidade do tamanho de São Paulo de bike traz outra percepção de suas dimensões, características e ritmos. O perigo é você nunca mais querer visitar uma cidade de outra forma ;-).

Ciclovia do Rio Pinheiros
Capivaras na Ciclovia do Rio Pinheiros. Foto: Lena Máximo

Se você é um turista em São Paulo, é bem provável que esteja hospedado em um hotel na região da avenida Paulista. Que tal pegar uma bike no domingo, em uma das estações do Bike Sampa e sair para conhecer a cidade? Há várias estações do Bike Sampa na região da Paulista.

Primeiro você precisa se registrar no site e pagar uma taxa de adesão inicial de 10 reais. Depois é só seguir as instruções e retirar uma bike em uma das estações. A primeira meia hora é gratuita; depois disso são cobrados 5 reais a cada meia hora adicional. Mas se você devolver a bike a cada 30 minutos e aguardar 15 minutos para retirar outra, não pagará nada. Única recomendação: traga um cadeado com você, pois assim poderá deixar a bike segura, quando quiser parar para visitar uma igreja, um museu ou simplesmente tomar um café. Hoje existem 120km de ciclofaixas de lazer na cidade, que funcionam aos domingos e feriados nacionais, possibilitando diferentes roteiros.

São 6 circuitos oficiais da ciclofaixa, mais 30 km da ciclovia da Marginal Pinheiros, mais a ciclovia da Faria Lima que eu incluí por minha conta 😉 São eles:

-> Circuito dos Parques: Liga os parques do Ibirapuera, das Bicicletas, do Povo, Villa Lobos e o do Chuvisco. Acho este trecho bem bonito e pode ser combinado à ciclovia da Marginal Pinheiros e à ciclovia da av. Faria Lima (estas duas são fixas; funcionam todos os dias da semana). Mais abaixo você vê uma sugestão para percorrê-lo (Roteiro 1).

-> Circuito Paulista/Centro: Adoro o centro da cidade, mas aos domingos a paisagem é triste. O comércio não funciona e a decadência e abandono são visíveis. Por isso aconselho que sua visita ao centro seja feita durante a semana ou aos sábados, quando ainda há alguma vida por lá. Para quem quiser fazer esse roteiro assim mesmo, coloco no próximo post um mapa com algumas atrações.

-> Circuito Paulista/Ibirapuera: É interessante para quem quiser pedalar bastante. Mas do ponto de vista turístico, aconselho cortar caminho para o Ibirapuera descendo uma das transversais da Paulista até chegar ao parque (ver sugestão de roteiro 1 abaixo).

-> Circuito Guarapiranga: Praia em São Paulo???!!!  Tem, sim senhor! O trecho Guarapiranga nos leva até ela. O acesso a este trecho é feito pela ciclovia da Marginal Pinheiros. Atenção! Ida e volta da Paulista até a Guarapiranga representam mais de 60 km! O trecho é puxado, pois na ciclovia da Marginal o vento contra castiga e depois ainda enfrentamos uma subida até o autódromo de Interlagos, seguida de uma descida até a represa, que na volta será uma subida! Não recomendo para quem só quiser dar uma pedaladinha contemplativa 😉

Há ainda dois outros trechos que eu nunca fiz: o “Nortee o ”Leste”. Estes dois trechos não estão interligados aos demais e portanto não possibilitam o acesso a quem está na região da Paulista, por exemplo, a menos que se utilize o metrô (bikes são liberadas no metrô a partir das 14 horas do sábado e domingo o dia todo).

Segue abaixo alguns detalhes do que ver e fazer nesse primeiro roteiro para conhecer São Paulo de bicicleta:

Roteiro 1 : Ciclofaixa da Paulista ao Circuito dos Parques e Faria Lima

No mapinha acima, sugiro um roteiro descendo direto da região da Paulista, no sentido do Ibirapuera. São aproximadamente 20 km de trajeto plano. Bico até para quem não costuma pedalar ;-). Para facilitar, sugiro a volta de metrô. Nota: As estações do Bike Sampa mais próximas da av. Paulista estão localizadas ao longo da Al. Jau, que é a segunda paralela à Paulista do lado dos Jardins (ver no mapinha – Ponto 1). Quem não se sentir confortável para pedalar um pequeno trecho pelas ruas, sem a proteção da ciclofaixa de lazer, pode seguir até o Ibirapuera e retirar a bike em uma das estações próximas.

-> Ponto 2: O Parque do Ibirapuera

Todo mundo já ouviu falar dele. É o parque mais popular da cidade. Lota aos domingos! Se você não é de São Paulo e não conhece o parque, pode aproveitar para dar uma volta por dentro dele. A ciclovia é demarcada nas ruas. Uma sugestão também é aproveitar para visitar os museus: MAM, MAC, Bienal ou o Pavilhão Japonês. Verifique a programação da Oca e do Auditório (veja aqui), onde costuma haver concertos ao ar livre aos domingos.

Mapa do Parque do Ibirapuera
Mapa do Parque do Ibirapuera. Foto: Divulgação

-> Ponto 3:  Av. Hélio Pellegrino

A ciclofaixa segue por toda a República do Líbano e Indianópolis, até chegar à av. Jabaquara em São Judas. Mas nós vamos seguir apenas um trecho dela, até um pouco depois do Ibirapuera, onde há uma opção de saída à direita, na av. Hélio Pelegrino, para os que seguem para a Vila Olímpia. É aí que entramos. Aproveite a descida da ladeira ;-).

Ao longo desta avenida (Hélio Pelegrino), os bares, restaurantes, padaria e até a feira livre viraram “point” de ciclistas. Aproveitaram o movimento da ciclofaixa, que já tem 4 anos, instalaram paraciclos e agora assistem felizes as filas de espera que se formam aos domingos. A minha primeira parada da manhã costuma ser na feira da pracinha, quase esquina com a Santo Amaro. É lá que abasteço minha caramanhola com água de coco para o resto do passeio. Mas se você não tomou café da manhã ou quiser tomar um suco de frutas, pode parar no Frutaria São Paulo (que fica lotado na hora do almoço) ou na padaria Pellegrino.

Ao longo da avenida há dois murais lindos do artista Eduardo Kobra. O primeiro, reproduz uma cena de São Paulo antiga, em preto e branco. O segundo faz parte de um projeto dele, chamado Brasil nas Copas, e reproduz a imagem do Falcão, comemorando um gol sobre a Itália, no fatídico jogo que nos mandou para casa em 82, antes das semifinais :-(. Pare para observar os dois. São lindos!

Eu sempre saio para pedalar cedo (a ciclofaixa começa às 7 horas e vai até às 16 horas). Mas para aqueles que saem mais tarde e a esta altura já estão pensando em almoçar, fica nesta avenida uma das minhas sugestões de almoço. A Cervejaria Patriarca (Hélio Pellegrino, 198), diz ter a melhor costela da cidade. Não conheço muitas, mas o sanduíche de costela desfiada que comi lá é delicioso! Não há paraciclos neste lugar (ainda), mas dá para prender a bike em uma das árvores. Talvez exatamente por esta razão não haja filas, como nos outros dois restaurantes próximos (Frutaria e Pé no Parque).

-> Ponto 4: Parque do Povo

Parque do Povo
Parque do Povo. Foto: Lena Máximo

Este parque é novo e pequeno, mas agradável. As árvores ainda estão crescendo, mas como não fica muito lotado, acho um lugar bem gostoso pra dar uma relaxada, quando o sol não estiver castigando. Este é o único parque onde não há nenhum tipo de comércio. Nem adianta procurar por bebidas ou biscoitinhos ;-). Mas há uma biblioteca aberta, com alguns volumes e revistas à disposição dos frequentadores. O circuito da ciclofaixa passa por dentro dele, até o portão da av. Cidade Jardim, onde sairemos.

-> Ponto 5: Jockey Clube

O atual hipódromo de São Paulo foi inaugurado em 1941. O prédio foi remodelado na década de 50 pelo arquiteto francês Henri Sajous e é considerado um marco do estilo Art Déco no país. Das arquibancadas ou das varandas de seus bares/restaurantes é possível ter uma vista bem bacana da cidade. Gosto muito desta parte do trajeto. Do Jockey Clube até o Parque Villa Lobos, passando pela Cidade Universitária é a parte mais arborizada.

-> Ponto 6: USP

Antes da inauguração do Parque Villa Lobos, o campus da USP servia como parque para os moradores na zona oeste da cidade. Hoje em dia, no entanto, não é permitida a entrada no campus aos domingos. Aos sábados, até às 14 horas, ciclistas, corredores, triatletas e famílias continuam frequentando suas alamedas e jardins.

-> Ponto 7: Outro mural de Eduardo Kobra

Após a ponte da Cidade Universitária, antes de chegar à Praça Panamericana, há outro belo mural do Kobra, retratando uma cena antiga da cidade.

-> Ponto 8: Parque Villa Lobos

Parque Villa Lobos
Parque Villa Lobos. Foto: Lena Máximo

Uma ciclovia dá a volta em todo o parque. São 4 km no total. Dentro do parque há várias áreas para piquenique, quadras de esportes e um orquidário lindo! Se você gosta de flor ou de arquitetura, vale a pena uma visitinha.

A partir daí, começamos nosso caminho de volta. A princípio, seguimos pela mesma ciclofaixa até a Praça Panamericana. Você notará que no canteiro central desta avenida (av. Prof. Fonseca Rodrigues) há uma ciclovia. Ela segue pela Pedroso de Moraes e Faria Lima, até a Cidade Jardim. A maior parte do trajeto é muito bonita e arborizada. Seguiremos por ela. Nota: Diferentemente do trecho da ciclofaixa, ao longo da ciclovia não há voluntários com bandeirinhas a cada esquina. Então é importante prestar bastante atenção nos cruzamentos e semáforos.

-> Ponto 9: Instituto Tomie Ohtake

Trata-se de um espaço cultural, com diversas salas destinadas a exposições. Verifique o calendário e veja se vale a visita. No local há também um restaurante que funciona no sistema de buffet aos finais de semana, o Santinho. Pertence à Morena Leite, dona do Capim Santo de Trancoso e São Paulo. Adoro a comida de lá! Pode ser uma boa opção para o almoço, mas, se quiser almoçar com uma vista bem mais linda, continue pela ciclovia por mais dois pontos, onde há uma filial do Santinho ;-).

-> Ponto 10: Quinta do Marquês

Quinta do Marquês
Quinta do Marquês. Fotos: Lena Máximo

Gosta de comida portuguesa? Bacalhau? Pastel de Nata? Ai, ai, ai!!! Esta padaria é filial de um posto de parada movimentadíssimo da rodovia Castelo Branco. A bacalhoada é famosa e deliciosa, além de barata para os padrões paulistanos. Se a fome não for tanta, recomento muito a coxinha de camarão e, claro, um dos doces ;-).

-> Ponto 11: Museu da Casa Brasileira

Museu da Casa Brasileira
Museu da Casa Brasileira. Foto: Lena Máximo

Impossível não notar essa mansão dos anos 40 na super movimentada av. Faria Lima. Seu jardim é um verdadeiro oásis! Fica aí a filial do restaurante Santinho, que mencionei no ponto 9. O Museu é o único do país especializado em design e arquitetura e considerado referência no tema. Aos domingos, às 11 horas, acontecem concertos gratuitos. Visitar suas exposições, ouvir música, almoçar bem e contemplar seu jardim é um programa que considero TOP em São Paulo e fecha com chave de ouro nossa pedalada. 😉

Observações finais desse roteiro:

Ciclofaixa em São Paulo
Ciclofaixa em São Paulo aos domingos. Foto: Lena Máximo

O percurso total desde a esquina da av. Paulista com a Al. Joaquim Eugênio de Lima até a Estação Faria Lima de Metrô tem 18,6 km. Seguindo até o Museu da Casa Brasileira o total é de 20,16 km.A maior parte do roteiro é plana, com exceção da descida da Paulista até o Ibirapuera e da descida da av. Hélio Pellegrino. Após o Jockey Clube, em direção à USP, há uma passagem de nível, ou seja, uma descida seguida de subida leves.

– Para quem chegar aqui e ficar cansado só de pensar em ter que voltar para a Paulista pedalando (na volta tem que subir, gente!), uma opção é ir até a estação de metrô Faria Lima, procurar a estação do Bike Sampa mais próxima (estação 106), devolver a bike e pegar o metrô até a Estação Paulista.

Quem mora em São Paulo e estiver com sua própria bicicleta ou emprestada, também pode voltar para casa de metrô. As bicicletas estão liberadas no metrô a partir das 14 horas do sábado e domingo o dia todo! – Se fizer paradas longas para almoçar, visitar museu, descansar no parque, sugiro devolver a bike em uma das estações do Bike Sampa e pegar outra depois. Assim evita-se pagar pela hora parada e ainda ganha-se 30 minutos grátis, cada vez que pegar uma nova bike ;-).

+ informações: http://www.cidadedesaopaulo.com/spdebike

*** Veja mais dicas de SÃO PAULO no blog:
Ciclofaixa em São Paulo: roteiro pelo Centro

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8 COMENTÁRIOS

    • Lena obrigada, obrigada e muito obrigada novamente por compartilhar suas dicas de novo por aqui!
      Tenho certeza que com esse post você vai ajudar e incentivar muita gente a conhecer melhor São Paulo! 🙂
      bjus!

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